Quarta-feira, 7 de Junho de 2006

Uma questão de apostas

Fervilha o ambiente de um mês de futebol por todos os cantos, esquinas, ruas e corações de milhões de portugueses. O Mundial de futebol está à porta e o país engalana-se para, desta feita à distância, torcer pelos seus ídolos. Nos relvados alemães estes esperam fazer as delícias mesmos daqueles que, habitualmente desligados do fenómeno, mantêm a sua fé e depositam enorme esperança nos já poucos resistentes da chamada ‘geração de ouro’ do futebol lusitano, da qual Luís Figo é o exemplo mais sonante. Embalados pela fresca imperial ou pelo estimulante café, roem freneticamente as unhas até ao fim e claro, fumam cigarro atrás de cigarro numa tentativa frustada de aliviar o stress provocado pelas incidências dos jogos. Nos estádios, a imagem do treinador que, por entre berros e incitamentos aos seus pupilos, traga mais um cigarro, é recorrente mas quer-se...banida. Se dentro das quatro linhas a Irlanda não é propriamente uma potência do futebol, tem-nos, fora delas, transmitido exemplos claros sobre a forma como é possível actuar na defesa dos mais básicos direitos de todos aqueles que são “presas fáceis” do fumo alheio, tendo sido o primeiro país europeu a decretar a proibição de fumar nos locais de trabalho, bares, restaurantes e outros locais públicos fechados.
Neste Mundial 2006 na Alemanha, com o objectivo de que se fume o menos possível, a organização colocará avisos nos 12 estádios que acolherão a competição pedindo aos espectadores que não fumem, apesar do consumo de tabaco não ser interdito. Porém, já no Mundial Coreia/Japão, em 2002, fora expressamente proibido fumar nos estádios assim como no Mundial da África do Sul, em 2010, também já está decidido que o tabaco será banido dos recintos dos jogos.
Actualmente responsável pela morte de uma pessoa em cada dez segundos em todo o Mundo, o tabaco continua a sua saga vitoriosa prevendo-se que em 2030, as mortes pelo fumo ascendam aos dez milhões por ano - uma vítima em cada três segundos.
Apesar de serem por demais conhecidos os efeitos maléficos do tabaco, constituindo este um factor de risco importante de doenças vasculares arteriais: coronárias, cerebrais e circulação periférica, os índices de utilização não baixaram tanto quanto seria expectável.
Povo de brandos costumes, a nível nacional o tabagismo continua a constituir um importante "problema" de Saúde Pública. Apesar de temos legislação que proíbe fumar em estabelecimentos de saúde, de ensino e recintos fechados, esta raramente é cumprida. Tão usual como inaceitável é presenciar professores que fumam diante dos alunos ou médicos que o façam perante os doentes. Por outro lado as actividades de promoção da saúde, como acções de prevenção primária e secundária, nem sempre ocupam lugar de primazia no contexto geral da prestação de cuidados de saúde, salvo honrosas excepções como foi o caso da recente campanha desenvolvida pelas farmácias portuguesas cujo objectivo passou pela disponibilização de um conjunto de informação e materiais de suporte assim como a promoção do acompanhamento contínuo do fumador, contribuindo para a diminuição dos índices de mortalidade e morbilidade inerentes ao tabagismo.
Outros recursos, outros métodos e materiais devem ser fomentados, por forma a valorizar esta cruzada antitabágica. Estes podem passar, por exemplo, pelo recurso a acções de informação às populações, às consultas de desabituação tabágica, à alteração da política fiscal sobre o tabaco ou demais mecanismos inibitórios, como a proibição de publicidade a estes produtos.
No decorrer deste Mundial de futebol as apostas serão muitas e variadas, do vencedor ao marcador do primeiro golo. Se fuma, faça uma aposta consigo mesmo! Vai ver que ganha....


Mário Peixoto
http://saudeminho.blogs.sapo.pt
publicado por Mário Peixoto às 13:27
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