Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

Viver com a Doença

A notícia surge normalmente fria, rápida, sem avisar. Muitas vezes sem sinais, sem sintomas, o quotidiano é bruscamente alterado com a confirmação de um diagnóstico indesejado e assustador: “Está doente!”. As expectativas em relação ao futuro são imediatamente re-equacionadas, a ansiedade cresce exponencialmente, o receio da partilha de experiências aumenta e os exercícios de reflexão multiplicam-se.
É então iniciada uma nova e longa etapa de aprendizagem: a busca daquilo a que é hábito designar-se: “Viver com a doença!”. Longa e sinuosa, esta etapa, é normalmente caracterizada por confrontos mais ou menos directos com os desafios provocados pela doença e com a transformação acelerada de hábitos enraizados ao longo de décadas. O combate ao isolamento e à resignação devem ser encarados como uma prioridade e substituídos pela esperança, pela busca incessante de informação, pela conhecimento dos seus direitos e pela partilha de experiências.
Num sector onde, especialmente nos últimos anos, as alterações introduzidas são permanentes, torna-se especialmente importante que os doentes possam fomentar fenómenos associativos e, por conseguinte, usufruam de novas dinâmicas, que potenciem a obtenção de mais valias aos mais variados níveis e em função das suas necessidades.
Pese embora este fenómeno tenha vindo a apresentar melhorias significativas nos últimos anos, é conhecida a dificuldade que os portugueses têm em associar-se corporativamente de modo a fazer face aos desafios constantes da sua doença. É inequívoco que, ao associar-se, o doente terá mais oportunidades de conhecer novas realidades, de partilhar novas experiências, diferentes dinâmicas e pontos de encontro, permitindo-lhe superar várias das dificuldades que vão surgindo diariamente. Da mesma forma, poderão obter mais e melhor informação, quer sobre a doença propriamente dita, quer sobre o rol de direitos que poderão usufruir, sejam eles de índole jurídica (ex.: emissão de pareceres), fiscal ou mesmo puramente social. O papel das Associações assume por isso especial relevo pois, para além de envolver os doentes nos processos de discussão e decisão relacionados com a sua doença, conseguem, ao mesmo tempo, num nível institucional, exercer um conjunto de pressões junto das entidades com responsabilidades no sector com resultados, por norma, bastante satisfatórios e com implicações directas na vida do doente. A título de exemplo refiram-se as sugestões, as propostas de melhorias e sua consagração no âmbito da Carta dos Direitos e Deveres dos Doentes ou ainda, descendo a um plano mais específico, no domínio dos seguros, na comparticipação dos medicamentos ou até no âmbito formativo. Consequentemente, ajudam a promover a aproximação entre os profissionais de saúde e os doentes. Posto isto, e salvaguardando o espírito de iniciativa, o empreendedorismo e a persistência dos responsáveis das ditas associações, não parecem restar dúvidas das mais valias que os doentes poderão obter através da sua associação a um fenómeno que, apesar de pouco disseminado no seio da sociedade portuguesa, contribui decisivamente para a melhoria das vidas daqueles que, a dada altura receberam a notícia: “Está doente!”
publicado por Mário Peixoto às 13:18
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