Domingo, 23 de Março de 2008

O poder do Blush

Há quem refira que é o quarto poder. Outros sobem a parada e do terceiro posto ao primeiro a distância é curta. Falamos da Comunicação Social. A discussão em torno da real importância desta, em especial em política, deixou de ser motivo de discórdia para se tornar um dado adquirido. São diários, mais ou menos flagrantes, os exemplos desse poder e na forma como pode, bem ou mal, ser utilizado em função de um determinado desiderato. Durante a semana multiplicaram-se os casos passíveis de ilustrar a forma como a informação que nos chega diariamente, quando bem ou mal trabalhada, pode ajudar a construir argumentos que induzam juízos de valor que distorçam a realidade com que somos diariamente confrontados.
Não, não me refiro às chuvas torrenciais que assolaram a Capital e aos danos irreparáveis que provocaram e muito menos à renúncia de Fidel Castro ao cargo de Presidente do Conselho de Estado e de comandante das Forças Armadas de Cuba. O ponto alto culminou na pseudo entrevista da SIC e do Jornal Expresso ao Primeiro Ministro José Sócrates.
Para quem tinha dúvidas elas ficaram desfeitas. Em tempo de aperto e com o espectro eleitoral a estreitar, fazendo uso da efeméride que assinala 3 anos de Governação, tornava-se importante lançar sound bytes suficientes para iluminar algumas almas mais distraídas, se possível por mais um ano. Durante largos minutos e com a complacência dos entrevistadores, Sócrates apareceu diante dos Portugueses uma vez mais demasiadamente impaciente, com um discurso absolutamente formatado, demasiado sintético e sem grandes desvios em relação ao preparado.
O tema Saúde foi um dos escolhidos. Sócrates começou por justificar que a mudança de Ministro se ficou a dever, única e exclusivamente, à percepção latente de que a confiança dos portugueses no SNS estava posta em causa. Pois bem, muda-se o ministro mas mantêm-se as políticas, independentemente da nova titular da pasta se ter manifestado crítica em relação ao rumo encontrado nas políticas de saúde de Correia de Campos. Afinal em que é que ficamos?
Foram então mencionadas as medidas macro. A saber: Melhor gestão e mais rigor. Até aqui nada a apontar, mas a pergunta que se coloca é: à custa de quê e de quem? Do necessário controle de despesas hospitalares ou do encerramento de serviços públicos sem alternativas para a população? Ao nível dos cuidados primários, reforma absolutamente essencial, sublinhou a abertura de 105 unidades de saúde familiar (USF) e o facto de estas servirem já 150 mil utentes. O objectivo recorde-se cifrava-se nas 200 USF até final de 2007. Uma vez mais aqui recordo os dados mais recentes para o Distrito de Braga nesta matéria: em Dezembro de 2004, cerca de 80 mil utentes não tinham médico de família. Hoje, volvidos 3 anos e com 16 USF criadas no Distrito, são 103 mil aqueles que anseiam por um médico de família. No que respeita à reforma do serviço hospitalar o Primeiro Ministro admitiu os erros cometidos nos encerramentos de urgências, especialmente por não terem sido dadas respostas alternativas à população e promete encontrar soluções. Fica mais uma promessa para análise futura. Por fim e não menos importante a reforma ao nível dos cuidados continuados integrados. Aqui sim, o caminho a ser trilhado parece ir de encontro às necessidades da população, cada vez mais envelhecida, permitindo “libertar” os Hospitais para outras tarefas.
Duas notas finais. A primeira de saudação e votos de sucesso à nova titular da pasta, embora esteja crente de que terá um ano e meio de políticas suaves e “ao sabor do vento” até às eleições. A segunda para desejar que nesse seu penoso caminho até às eleições, não fique esquecido o Hospital de Braga, adjudicando-o definitivamente ao consórcio vencedor e, por conseguinte, empossados os novos orgãos de gestão em resposta às preocupações e anseios da população bracarense.
publicado por Mário Peixoto às 19:26
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