Quarta-feira, 7 de Março de 2007

Novo Hospital de Braga

Tal como muitas outras regras ou convenções que herdamos dos nossos antepassados e que, depois de um certo tempo, continuam a existir sem serem questionadas ou desafiadas, é tradição formularem-se, neste período, desejos para o resto do ano. Cada um de nós formulou, ao som das doze estridentes badaladas, os votos mais íntimos, independentemente da concretização estar, ou não, ao seu alcance.
Também o Distrito de Braga, através do somatório dos vários votos formulados pelos seus milhares de habitantes, terá expresso os seus. Por entre uma das badaladas e uma das uvas passas, os votos de um novo Hospital Central, Geral e Universitário para Braga terá sido, com certeza, um deles. Porém, como muitos outros, a sua concretização não depende apenas e só da vontade ou dos desejos de cada um de nós mas também da forma coerente, expedita e profissional com que os responsáveis pela implementação e concretização destas unidades exercem a sua actividade. Já é longo o historial em torno desta construção. Data de 1984 o primeiro despacho ministerial que previa a sua construção. Desde aí, por entre verbas atribuídas em PIDDAC e posteriormente retiradas, por entre discussões sobre a localização ou apenas pelo modelo de financiamento escolhido, o processo tem-se penosamente arrastado, justificando a incredulidade de todos aqueles que acompanham o desenrolar do processo.
Uma análise, mesmo que fugaz, ao calendário de construção e operação, apresentado pela Missão Parcerias.Saúde, permite constatar quão flagrante é a “derrapagem temporal” entre aquilo que aí é consagrado e aquilo que, de facto, se fez até ao momento. Lançado o Concurso Internacional no dia 20 de Dezembro de 2004, estava prevista a assinatura do Contrato de Gestão para 30 de Setembro de 2006, iniciando-se a construção do novo edifício a 1 de Outubro do mesmo ano. Parece assim evidente que o atraso verificado se deve essencialmente à forma pouco ou nada diligente como tem decorrido a apreciação das propostas apresentadas pelos diversos concorrentes por parte dos serviços do Ministério da Saúde. Mais de um ano volvido, que fará provavelmente deslizar para o ano de 2011 a abertura do novo Hospital, constata-se não só a ausência de qualquer infraestrutura semelhante com aquilo que poderia ser um novo Hospital como, no mínimo, se estranha as incongruências das tomadas de posições públicas assumidas por quem no passado recente acusava uns e manifesta agora total confiança e solidariedade para com outros cuja responsabilidade passava pela implementação de políticas que fomentassem o investimento no cidadão e nos recursos que lhe pudessem ser disponibilizados, contribuindo para uma sociedade mais justa e solidária, orientada para a prestação de cuidados de saúde a quem deles precisa e não para a satisfação de interesses políticos.


É pois inaceitável que se verifiquem novos retrocessos na adjudicação e na construção do Hospital, seja por opções estratégicas mal calculadas de uns ou simplesmente por capricho de outros!



Mário Peixoto
publicado por Mário Peixoto às 20:36
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