Domingo, 23 de Março de 2008

De costas voltadas....

Eliminar, seja em cidade ou vila, as principais barreiras arquitectónicas e urbanísticas que perturbam a mobilidade a todo e qualquer cidadão deve constituir, mais do que um desafio, uma prioridade objectiva para qualquer executivo municipal.

São muitas as pessoas que, todos os dias, se deparam com grandes dificuldades ou se vêem mesmo impossibilitadas de frequentar inúmeros locais públicos, quer devido ao conjunto de obstáculos existentes na via pública, quer à falta de condições de acesso e de circulação, tanto nas ruas como nos edifícios de utilização colectiva.

Quase sempre esquecidos, os valores fundamentais como a igualdade de oportunidades, a liberdade e a solidariedade, deverão voltar rapidamente à agenda política, cumprindo imperativos éticos e culturais condizentes com a nossa estrutura social contemporânea.

Torna-se assim imperativo, para qualquer sociedade moderna, abolir não só as barreiras arquitectónicas como as sociais e psicológicas por forma a garantir, sem discriminações, uma adequada adaptação às necessidades das suas populações.

Em Braga, tarefas como o planeamento urbanístico da Cidade tem sido tratado com displicência, garantindo-se e publicitando-se acções muito pontuais que em pouco contribuem para o supracitado desiderato, remetendo para segundo plano acções estruturais, previamente definidas e planeadas, que clara e decisivamente contribuam para a construção das melhores soluções para os cidadãos.

É certo que não se pode exigir, de modo repentino, uma total transformação da cidade mas é imperativo que o trabalho comece de forma programada e verdadeiramente sustentada.

Os exemplos das acções passíveis de serem implementadas que, por mais simples e menos dispendiosas sejam, no seu somatório farão seguramente a diferença, são variados. Refira-se, entre outros, a promoção da revisão da localização de elementos de mobiliário urbano e sinalética vertical que constituam obstáculos físicos à circulação; a adaptação, pela empresa de transportes públicos dos veículos utilizados ou, mais simples ainda, o redimensionamento e adequação dos passeios e passagens para peões.

Acresce a necessidade de serem promovidas acções regulamentares e de sensibilização dos sectores públicos e privados que permitam impor medidas de mobilidade para todos, em especial nas novas urbanizações.

Por outro lado e porque nem só os cidadãos com necessidades especiais sofrem as consequências deste desordenamento, mau planeamento e inércia, seria igualmente oportuno e conveniente encetarem-se algumas diligências fundamentais para uma sã utilização dos espaços públicos como, por exemplo, pintar de forma bem visível as passadeiras para peões ou resolver o problema da iluminação em algumas vias da cidade.

Este tipo de acção concertada revelará, a médio prazo, resultados bastantes positivos quer pela construção de um meio ambiente urbano mais qualificado como de uma sociedade mais pluralista, mais respeitadora e cada vez menos de costas voltadas para as necessidades dos seus cidadãos.

Desde o ano de 2003, cerca de 70 municípios portugueses já aderiram à “Rede Nacional de Cidades e Vilas com mobilidade para todos”. E Braga? Para quando?
publicado por Mário Peixoto às 19:27
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