Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

Investir em Saúde

Hoje, no calendário das efemérides, é assinalado o Dia Mundial da Saúde. Este ano o tema central não poderia ser mais sugestivo: “Investir em Saúde para um Futuro mais Seguro”. Como com qualquer outra efeméride, o objectivo das instituições promotoras das várias iniciativas que decorrerão por esse mundo fora, passa por marcar a agenda política e trazer para a ribalta, entenda-se comunicação social, temáticas que, ao serem debatidas fora dos circuitos fechados a que normalmente estão vetadas, possam, de alguma forma, contribuir para a obtenção generalizada de ganhos em saúde.
Desta feita, visando a segurança internacional em saúde, é incentivada a estreita colaboração entre a comunidade internacional por forma a melhor responder às emergências de Saúde Pública neste mundo que cada vez mais frequentemente catalogamos de globalizado.
Há séculos que existem registos de epidemias, e na Idade Média, as epidemias de peste tiveram um impacto tal na vida das populações que marcaram a História europeia. Hoje, o crescimento das cidades, o aumento do comércio e da mobilidade das populações cresce exponencialmente potenciando as ameaças globais à Saúde. Se, no final da 1ª guerra mundial, é assinalada aquela que ficou conhecida como a maior pandemia da história (a Gripe Espanhola, que matou entre 20 e 40 milhões de pessoas pelo mundo inteiro, quase todas vulneráveis, subnutridas e enfraquecidas pela guerra ao qual se juntaram as más condições de higiene nas trincheiras e o acréscimo de mobilidade das tropas aliadas em 1918), hoje as ameaças à saúde e à segurança são outras, muitas, diversas, imprevistas e igualmente perigosas. Atente-se nos fenómenos gerados quer pela gripe aviária, quer pelo VIH/SIDA e outras doenças infecciosas cujo impacto na saúde e na economia das nações é muitas vezes devastador.
Estamos pois perante uma oportunidade para que a comunidade internacional tenha em consideração a crescente interdependência das áreas da saúde e segurança e possa estabelecer prioridades no combate e controlo destas ameaças através de um esforço colectivo, seja pela troca de informações ou pelo reforço dos sistemas de saúde pública e de vigilância. Porém, pese embora o discurso racional da colaboração internacional seja necessário, é igualmente evidente que todos os países, incluindo obviamente Portugal, devem ter capacidade de intervir internamente criando mecanismos quer de prevenção quer de actuação em caso de necessidade. As questões que se colocam neste momento são: estará Portugal preparado para estas eventualidades? Tem Portugal um sistema de saúde pública capaz de responder de forma positiva em caso de necessidade? Tem Portugal investido em Saúde?
Quero crer que sim, pese embora os sinais sejam francamente pouco animadores, a avaliar pelas políticas implementadas até ao momento: encerramento de urgências hospitalares, encerramento de Serviços de Atendimento Permanentes (SAP) em áreas mais desprotegidas, encerramento de maternidades, descomparticipação de medicamentos em nome do falso argumento da acessibilidade....ou seja, políticas economicistas que não auguram nada de positivo para o sistema de saúde português! A ver vamos...


PS: A todos os leitores votos de uma Páscoa Feliz



Mário Peixoto
http://saudeminho.blogs.sapo.pt
publicado por Mário Peixoto às 18:13
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