Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

(In)Dependente

Desenganem-se aqueles que julgavam que iria abordar a questão em torno do famigerado processo da Universidade Independente. Vamos sim falar de dependências!
No cinema, no teatro, na televisão, na mesa do café, no banco do jardim, no trabalho, enfim, falar de dependências fez, faz e fará parte do quotidiano das vidas de todos nós. Quem não é dependente de algo? Mas, falar de dependências? Sim, porém de forma séria, profunda, sem clichês, rodeios ou preconceitos. Pode até, em alguns casos ser divertido, pois podemos escarnecer sobre muitas situações das nossas vida... mas que seja sério! O tema “dependência” é e será sempre controverso, aumentando o seu grau de controvérsia quando lhe é associado o verbo combater: “ O combate às drogas” ou “O combate ao álcool”... os mesmos velhos e vagos clichês que mais não conseguem do que, tal como as substâncias citadas, promover a ilusão.
Mas não só de drogas e álcool vivem os dependentes. São conhecidos e bem tipificados os dependentes da música, os dependentes do café, os dependentes da pessoa amada ou até os dependentes do trabalho! E há ainda os dependentes do jogo, das compras ou simplesmente e mais recentes os da internet e do telemóvel! Os hábitos vão-se alterando, a oferta proporcionada pela sociedade vulgarmente designada por “sociedade de consumo” vai também aumentando e começam a surgir enormes e fortes dependências patológicas, mesmo sem o recurso a drogas, afectando indivíduos independentemente de graus académicos ou níveis sociais. Estas dependências patológicas são já referenciadas pelos clínicos como tendo interpretação bioquímica em tudo semelhante à dependência das drogas, como é o caso do síndrome da privação, provocando igual desgaste e sofrimento em quem delas padece.
Hoje em dia, a questão da dependência deixa de se centrar na licitude ou ilicitude da substância e passa a centrar-se na própria pessoa, em que momento da sua vida ocorre e quais os malefícios que daí poderão advir caso exista uma relação patológica com o comportamento ou substância.
Para os pais aumenta pois a importância de, perante crianças e jovens, analisarem os seus comportamentos de forma mais próxima e atenta, minimizando o impacto que determinadas escolhas, por mais inócuas que possam parecer, possam ter nas suas vidas e na forma como estas afectarão de facto o seu normal desenvolvimento. Devem levá-las a pensar, a crescer, para poderem escolher....se querem ser dependentes ou independentes. Ao Estado e às instituições que se dedicam às questões desta natureza, cabe o papel de conceber novos programas, novas medidas que melhor se direccionem a esses públicos-alvo fomentando a prevenção pois, como diria Séneca,: “difficulter reciduntur vitia, quae nobiscum creverunt” (Sêneca, De ira, II, 18): prevenir ainda é o melhor remédio!
publicado por Mário Peixoto às 20:38
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