Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

A Queda

São por demais conhecidas as insuficiências do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) e comentada frequentemente a sua sustentabilidade, esse “palavrão” intrinsecamente ligado ao correcto ou incorrecto uso dos recursos que lhe são afectados e que espelha genericamente a sua “saúde”. Apesar dos inúmeros erros que têm sido cometidos pelos diferentes actores políticos, com especial destaque para os atentados protagonizados pelo actual ministro da pasta, o SNS vai sobrevivendo, carregado aos ombros pelos inúmeros profissionais que diariamente, com o seu empenho e coragem ajudam, incansáveis, milhares de portugueses. Os resultados, já o mencionamos, não são particularmente famosos num número significativo de indicadores de sáude, mas outros há que, pelo seu significado, merecem a nossa contínua atenção e reflexão. Assim, há sensivelmente um ano atrás, neste mesmo espaço, destacamos os excelentes resultados no nosso Distrito no que toca a dois dos mais importantes indicadores de saúde que reflectem, de certa forma, níveis de desenvolvimento e performances atingidas por uma qualquer sociedade: os índices de mortalidade infantil e perinatal. À data sublinhamos igualmente que foi pujante a restruturação do tecido económico e social nas últimas décadas em Portugal constatando-se enormes progressos. Neste particular, muito contribuiu o Programa Nacional de Saúde Materno- Infantil lançado em 1989 que ajudou a diminuir significativamente a taxa de óbitos infantis, relançando Portugal no mesmo trilho percorrido pelos seus congéneres europeus. Hoje, novos dados são disponibilizados pela Direcção Geral de Saúde referentes a estes dois indicadores, desta feita alusivos ao ano de 2005 ( últimos dados disponíveis). Contrariamente ao que era, mais do que expectável, desejável, os dados referentes aos nosso Distrito deixam-nos, no mínimo, apreensivos. Depois de dois excelentes anos no que respeita ao indicador: Mortalidade Infantil, onde os valores no Distrito de Braga desceram dos 5,2 ‰ (2002) para os 2,7‰ (2004) , eis que os dados de 2005 se voltam a cifrar nos 4,8 ‰, quase que duplicando o número de óbitos em relação ao ano anterior. A mesma tendência é apresentada para os indicadores: Mortalidade Neonatal e Perinatal, aumentando no primeiro caso dos 1,2 ‰ para os 3,1 ‰ e no segundo dos 2,7 ‰ para os 3,5 ‰. A performance inserida neste contexto paralelo quer da zona Norte quer de todo o País, continua a ser mais desastrosa, apresentando o Distrito valores de mortalidade significativamente mais altos. Os motivos? Pelo menos para o “grande público” são, por enquanto, desconhecidos. A avaliação das políticas implementadas fazem-se através da análise dos dados que, ano após ano vão sendo disponibilizados e que relacionam vários factores, sejam eles de ordem técnica ou eminentemente política como o encerramento de maternidades ou a reforma dos cuidados primários. Esta súbita quebra não poderá, salvo seja desmentida por futuras análises, ser atribuída a qualquer destas recentes medidas mas sim a putativos problemas pontuais que se desejam resolvidos rapidamente. Importa pois estar atento, percepcionar as causas e encontrar as melhores soluções para que a queda não seja mais acentuada, revertendo novamente esta tendência recente, recolocando o Distrito na senda do sucesso que vinha taçada nos anos anteriores.
publicado por Mário Peixoto às 20:41
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