Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

Full House

De entre as inúmeras séries televisivas cujo enredo gira em torno de temáticas médicas, Dr. House destaca-se pela sua originalidade e pelo distanciamento do habitual figurino, contrariando o estereótipo associado às séries americanas que vão sendo exibidas amiúde na nossa televisão. Hugh Laurie, dá vida à personagem de um médico pouco ou nada convencional cujos defeitos são escondidos pela genialidade com que, utilizando métodos pouco ortodoxos, resolve os enigmas médicos que episódio atrás de episódio lhe são apresentados através do recurso a uma grande capacidade de raciocínio, associação de ideias e instinto. Apesar da relação conflituosa com todos os que o rodeiam, em especial com os seus superiores, é ao mesmo tempo admirado pelos seus colaboradores.
Mas tudo isto ocorre num cenário à altura de uma verdadeira produção americana, onde sobressai toda a tecnologia de ponta, com médicos e enfermeiros em azáfama constante em busca de resultados extraordinários. Da ficção à realidade a distância é longa pelo que seria difícil de imaginar este Dr. House, coxo e de mau humor, a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde, sonegando informação clínica à comissão decisora dos transplantes para que critérios economicistas não impeçam os seus doentes de ser salvos! Este exercício mais difícil se torna quando, qual Full House na mão de Correia de Campos, são conhecidas decisões como a do trio de encerramentos: Serviços de Atendimento Permanentes (SAP); urgências hospitalares e maternidades e como a do par de aumentos das taxas moderadoras de urgência e de internamento hospitalar. Num jogo de poker, o Full House, caracterizado pela obtenção de um trio e um par, expressa a excelência de todas as partes juntas, fortuitas na origem mas moldadas pela selecção. Este Full House do ministro da Saúde sustenta que a sua estratégia é a realidade suprema da contradição.
O discurso positivo e optimista é contrariado pela criação de uma rede de serviços de saúde totalmente desequilibrada e incoerente, isolada e sem recurso a parceiros estratégicos, espelhado nas recentes atitudes discricionárias em relação aos Municípios que nela não se revêem assim como pelo desperdício de todo o potencial patenteado pelo capital humano: médicos, enfermeiros, farmacêuticos, entre outros, que, com o seu esforço, têm garantido o funcionamento deste SNS. Não se augura pois nada de positivo. Talvez apenas um par de duques!
Subsiste contudo ainda a ténue esperança que estejamos perante a conhecida técnica do bluf, também muito usada no poker, onde aquilo que transparece ser uma política errática seja apenas uma evidente incapacidade em explicar o que se está a fazer e as suas efectivas consequências para as populações. Pode ser que, transformando os duques em ases e com um pouco mais de sorte lhe saia um Royal Flush!
publicado por Mário Peixoto às 20:42
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