Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

Social Desperdício

A Ordem dos Economistas promoveu esta semana uma conferência/debate subordinada ao tema «A Gestão da Saúde».

No actual contexto da Saúde em Portugal, a temática escolhida afigurava-se tão interessante como oportuna tendo sido enriquecida pela presença do Professor Correia de Campos, Ministro da Saúde, assim como de outras personalidades e entidades representativas do Sector.

Não fossem algumas das “tiradas” do titular da pasta e este seria apenas mais um dos inúmeros fóruns de discussão sobre a matéria.

Porém, o desnorte patenteado nas mais recentes tomadas de posição pública atingiu o seu expoente máximo quando foi confrontado com um exemplo gritante do desgoverno e descontrolo a que tem sido vetada a distribuição de medicamentos de uso exclusivo hospitalar.

Ao tomar conhecimento da devolução, por uma familiar, após falecimento de uma doente do foro oncológico, de um conjunto de medicamentos recolhidos de forma desregrada no Hospital a que recorria, no valor de aproximadamente 50.000 € e cuja utilização no tratamento poderia variar entre 1 e 4 anos, dependendo da posologia indicada, o Ministro sugeriu, imagine-se, que os mesmos fossem entregues aos pobres!

Esta faceta tão marcadamente social de Correia de Campos era de facto desconhecida para a generalidade do público tantos têm sido os exemplos que espelham a ânsia de, a todo o custo e pela forma mais fácil, leia-se, via utentes, garantir a desejada sustentabilidade económica do SNS.

Importa pois sublinhar que, enquanto continuam os ataques aos doentes pelo recurso a diversas metodologias como o pagamento parcial dos serviços prestados (taxas moderadoras, taxas de internamento, etc.), como o encerramento de serviços ( SAP´s, Maternidades) ou o famigerado imposto exclusivo para a Saúde, se assiste impávida e serenamente ao crescimento exponencial do desperdício com medicamentos.

Este, segundo dados avançados pela Valormed, a empresa que faz reciclagem de medicamentos entregues nas farmácias, aumentou mais de 22% no ano passado em relação a 2005, tendo sido recolhidas 576 toneladas de medicamentos fora de prazo.

Confrontado com estes dados, Correia de Campos aponta com ligeireza o dedo a médicos e à indústria farmacêutica como principais e únicos responsáveis por este status quo!

São, indesmentivelmente elementos fulcrais no circuito do medicamento e por conseguinte com responsabilidades neste descontrolo seja pela definição dos critérios subjacentes ao dimensionamento das embalagens, nem sempre adequadas aos tratamentos para os quais se destinam, seja única e simplesmente pela sua prescrição em quantidades igualmente desajustadas. Mas então qual o papel do Estado perante este descalabro? Não estará na altura de monitorizar este processo e tentar encontrar soluções que possam ajudar a diminuir este impacto, regulamentando, por exemplo a possibilidade de dispensa de medicamentos em unidose no ambulatório?
publicado por Mário Peixoto às 20:45
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