Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

O Ranking

Sobe, desce, ordena, reordena. O “efeito Ranking” é usado amiúde para nos transmitir mensagens sobre determinado assunto de forma ordenada e estruturada em função dos critérios em análise.

Existem, de facto, Rankings para todos os gostos. Uns mais lúdicos, outros mais profissionais, uns com mais critérios, outros com menos. Com objectivos nem sempre claros, resultados às vezes perniciosos, os critérios subjacentes à elaboração de um ranking devem ser rigorosos e independentes por forma a não permitir grandes especulações em relação aos resultados e ao impacto que estes possam ter em determinado sector ou área de actividade.

As mensagens que os rankings transmitem, essas, são porventura e tendencialmente, à boa maneira lusitana, interpretadas em função de determinados objectivos ou intenções que, por sua vez, se escondem por detrás dos mais variados interesses.

Existem porém mensagens transmitidas por Rankings que, de tão claras e objectivas, deixam pouca margem de manobra para interpretações subjectivas ou ajustadas a determinados interesses, mesmo quando esses passam por transmitir aos portugueses a imagem de que dispõem de um Sistema de Saúde saudável, eficaz ou como se chegou a ventilar “... um dos melhores do mundo”.

De acordo com o Índice Europeu do Consumidor de Serviços de Saúde (um ranking dos sistemas de saúde mais amigos do consumidor da União Europeia (UE) estabelecido com o recurso a 27 indicadores) da responsabilidade da Health Consumer Powerhouse, consultora sueca que, nos últimos anos, se dedica à recolha, tratamento e fornecimento de informação sobre sistemas de saúde, Portugal cotou-se num pouco honroso 19.º lugar entre 29 países europeus.

No relatório que combinou estatísticas públicas com investigações independentes, Portugal é valorizado no que respeita à mortalidade infantil, à vacinação de crianças e à disponibilidade de informação via internet e linhas telefónicas, mas obtém maus resultados nos tempos de espera (nos cuidados primários e especialidades) em vários serviços públicos, na mortalidade por ataque cardíaco, nas operações às cataratas e nos cuidados dentários no sistema público.
A acessibilidade aos cuidados de saúde e a necessidade de gerir melhor os recursos financeiros do sistema ( é elevada, em comparação com outros países da UE com melhores resultados, a percentagem do PIB destinada à saúde em Portugal) por forma a traduzirem-se em mais ganhos de eficácia no fornecimento dos referidos cuidados são igualmente apontados pela consultora como elementos chave a atingir na prossecução de um melhor sistema de saúde.
Segundo fez saber, o Ministério da Saúde concorda com as indicações expressas no relatório e está disponível para encontrar as melhores soluções, quem sabe se sugestionado por Aldous Huxley na sua magnífica obra “Admirável Mundo Novo” onde referia que “O remorso crónico, e com isto todos os moralistas estão de acordo, é um sentimento bastante indesejável. Se considerais ter agido mal, arrependei-vos, corrigi os vosso erros na medida do possível e tentai conduzir-vos melhor na próxima vez. E não vos entregueis, sob nenhum pretexto, à meditação melancólica das vossas faltas. Rebolar no lodo não é, com certeza, a melhor maneira de alguém se lavar.”

Portugal pode, de facto, não ter “ um dos melhores sistemas de saúde do mundo”, nem sequer estar entre os dez melhores da Europa.

Tentar passar a ideia contrária aos utentes do SNS não é admissível.

Igualmente inadmissível é o sentimento de resignação e a contínua meditação melancólica perante estes dados.

Insistir no eterno culto do remorso também não será correcto pelo que apenas resta o caminho do trabalho e da busca contínua da excelência, por um melhor Serviço Nacional de Saúde.
publicado por Mário Peixoto às 17:55
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