Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Promessas escritas...

... a giz, como numa ardósia, foram apagadas quando se percebeu que, para o ministro Correia de Campos, as listas de espera para cirurgia não constituíam um problema importante da política de saúde. Após forte contestação, o Governo apontou como objectivo os 200 mil portugueses que aguardariam uma cirurgia no final deste ano e com um tempo máximo de espera de 5 meses. Apenas pura fantasia ou análises truculentas, como por exemplo utilizar a mediana em detrimento da média, poderiam explicar tamanho sucesso. Em boa verdade a redução foi diminuta e não será, com certeza, pelo recurso a este artefactos matemáticos que o problema se resolverá.

... a canela, como nos doces tradicionais de Natal, desaparecem a cada garfada percepcionado que foi o impacto das medidas governamentais no preço dos medicamentos. As conclusões apresentadas no Relatório do Observatório Português dos Sistemas de Saúde não deixam margem para dúvidas, acentuando a tónica do «aumento generalizado» dos preços dos Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica. Refutados os alertas deste prestigiado organismo, Correia de Campos refugiou-se no ataque aos parceiros sociais para escamotear a subida dos preços destes medicamentos, em especial num sector onde os mais carenciados e os mais velhos mais recorrem.

... na areia lisa e molhada da praia mais exótica são escritas e imediatamente apagadas pela maré. Desta feita a promessa do reequilibro das contas do SNS desvanece-se. Segundo o Relatório do Tribunal de Contas, a metodologia para a consolidação de contas utilizada pelo Ministério da Saúde peca pela falta de rigor. Tal facto motivou a recomendação da aprovação urgente de normas de consolidação de contas para o sector da Saúde. Até lá os resultados continuam a ser catalogados como “sofríveis”.

... a fumo de um jacto que foge no horizonte desaparecem no ar, sem deixar rasto. As promessas de Correia de Campos vão no sentido de redobrar esforços para que a saúde “se situe de maneira proeminente na agenda política porque só assim se poderão enfrentar as desigualdades que exacerbam a vulnerabilidade das nossas populações”. Estranha-se pois as etapas já alcançadas: fecho de urgências hospitalares e SAP´s, encerramento de maternidades, aumento do preço dos medicamentos e novas taxas moderadoras.

... a cera de uma vela que arde sem parar são sempre de complicada gestão. Nem sempre se alcança o estado calmo e sereno que permite percepcionar o alcance da decisão de prometer. São normalmente momentos de intensa emoção aqueles em que as promessas crescem e florescem, condicionando-as desde logo, e, se a emoção que as fez nascer acaba por se desvanecer, então a força da promessa também se dilui.
publicado por Mário Peixoto às 18:06
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