Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2005

Bom dia Quioto !

A semana ficou marcada pela entrada em vigor do Protocolo de Quioto. Assinado em 1997 na cidade japonesa com o mesmo nome, este protocolo pretende impor medidas efectivas que combatam todos os processos que fomentem a poluição, nomeadamente ao nível da emissão de gases com efeito de estufa, e impeçam que as alterações climáticas continuem a revelar-se assustadoras.
Este foi ratificado por 141 países, cerca de 50 dos quais industrializados, e que, em conjunto, são responsáveis por mais de 55 por cento das emissões poluentes mundiais. O assunto foi já inclusivamente classificado como “ o maior problema ambiental global deste século e está no topo da agenda política da Europa». Os Estados Unidos, de forma paradoxal, na medida em que são responsáveis por 36,1 por cento das emissões, recusaram-se a ratificar o protocolo alegando que o país está na vanguarda da pesquisa sobre as alterações climáticas e que outros bons motivos, sem revelar quais, estariam na base dessa decisão...certamente numa alusão aos fortes lobbies do petróleo e do carvão!!
Por seu turno, a decisão da Rússia (responsável por 17,4 por cento das emissões)
em ratificar o mesmo revelou sinais francamente animadores no que toca à redução das emissões poluentes pelos países mais desenvolvidos e abre caminho a que se possa estender aos países em vias de desenvolvimentos como a Índia, o Brasil ou a China.
A economia mundial, num sinal claro de que uma política ambiental audaciosa não representa nem entraves nem ameaças ao crescimento económico, já mexe. Atente-se ao exemplo de empresas como a SAP, líder mundial de software de gestão empresarial, que anuncia entretanto a disponibilidade de uma solução pioneira, a nível mundial, para a gestão e acompanhamento dos direitos de emissão de CO2. . Um exemplo de inovação com reflexos ao nível da eco-eficiência, justiça social e acima de tudo de uma produtividade moderna. Esta deve ser re- orientada para a sustentabilidade, permitindo que outras variáveis, que não apenas os preços da produção e dos produtos, como a segurança, a qualidade de vida ou a utilização de recursos não renováveis, possam integrar-se e inter relacionar-se com claros benefícios para o cidadão.
Há contudo um longo caminho a percorrer. Os índices de educação ambiental continuam deficitários e por isso deverá constituir uma aposta forte daqueles que vierem a assumir as rédeas da governação mesmo que aparentemente possa parecer um investimento transparente ou mesmo invisível. É preciso não confundir educação com instrução : conhecemos muita gente com altos índices de instrução e tremendamente “mal educadas” assim como pessoas muito “educadas” com baixos índices de instrução. Esta deve, por isso, começar no seio da família, também na escola, suportada com serviços de sensibilização e informação especialmente transmitidos pelos orgãos de comunicação social. Conseguiremos assim instruir, cultivar e educar um povo que pode viver sem muita coisa mas não pode viver sem um ambiente saudável e água potável.
A educação ambiental constitui assim, apesar dos múltiplos desafios e prioridades ambientais, aquilo a que designo “objectivo major” das políticas a este nível. Acreditar nesta realidade é um desafio para todos nós, em nome das gerações futuras!

Mário Peixoto
mariopeixoto@mail.pt
http://saudeminho.blogs.sapo.pt
publicado por Mário Peixoto às 17:11
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