Segunda-feira, 16 de Maio de 2005

Recursos Humanos na Saúde

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Os Recursos Humanos são, cada vez mais, o principal capital com que uma organização, seja ela de índole empresarial ou não, pode e deve contar. Não há tecnologia que faça milagres, nem investimento que sobreviva, se os colaboradores da organização não forem os mais adequados em função do objectivo final pretendido. A forma e o método utilizados para atingir esse desiderato é que poderá ser provavelmente mais complicada de se escolher. Contudo, sem uma gestão eficaz, sustentada numa visão ampla, integrada e estratégica e aliada a uma sensibilidade apurada, as dificuldades, com certeza, aumentarão.
O mundo organizacional, em geral, e na Saúde em particular, vive momentos de transformação profunda, percepcionáveis através das mudanças significativas que ocorrem nos mercados e nas tecnologias, acarretando alterações na forma como o trabalho é organizado, suscitando novos problemas e novos desafios, para os quais o gestor tradicional já não encontra soluções apropriadas, no âmbito da panóplia de competências e conhecimentos de que dispõe.
O processo de liderança surge como o factor determinante, diria mesmo decisivo, para o futuro da gestão. Permitir uma integração de competências diversas, para além das tradicionais competências técnicas; e fazer emergir uma contribuição mais rica e empenhada das pessoas, em torno dos projectos organizacionais aos quais estão emocional e conscientemente ligadas é um trabalho tão árduo quanto estimulante.
No panorama da Saúde em Portugal, os profissionais, pese embora todo o potencial que apresentam, continuam, por si só, a tentar encontrar motivação onde ela por vezes não existe. É comum ouvirmos afirmações como: “Com os meios humanos e materiais que temos, poderíamos muito bem produzir mais e melhor”(Prof. Manuel Antunes- Cirurgião Cardiotorácico). Então porque não se produz? Também comum é a constatação da necessidade que os profissionais de saúde têm de trabalhar em vários locais, dividindo-se normalmente entre o sector público, de manhã, e o sector privado, da parte da tarde e com isso entupindo o próprio sistema de saúde. Com estes dois exemplos flagrantes facilmente se conclui que existe um claro déficit de gestão eficaz destes profissionais. O planeamento é deficiente ou inexistente, o “empowerment” esquecido, os incentivos diminutos e claro, a produtividade empobrecida.
Muitas vezes escondidos sobre a nuvem negra do déficit, das dificuldades financeiras, os responsáveis pela gestão dos recursos humanos esquecem-se que no centro do desenvolvimento de uma organização estão pessoas e que estas necessitam de ser desenvolvidas, de poderem por em prática todas as suas potencialidades em prol da organização, quer em projectos comuns quer em projectos transversais que transcendam a própria organização. É cada vez mais premente a compatibilização real do capital humano com as necessidades das organizações, quer elas actuem na área da Saúde ou não, com o recurso a investimento em formação, melhoria das condições ambiente de trabalho com consequente adaptação á vida social (infantários, ginásios, cantinas), remunerações adequadas ao trabalho desenvolvido e sistemas de avaliação justos complementados por uma gestão de expectativas séria por forma a desincentivar comportamentos calculistas.
Como de um contrato se tratasse entre Organização e Colaboradores, mesmo que ele seja apenas psicológico, estes precisam de o rubricar, sentindo que existe uma percepção mútua sobre as necessidades de cada uma das partes para assim criarem sinergias das quais advenham vantagens paras ambos e com repercussões positivas para o utente dos serviços de Saúde.



Mário Peixoto
mariopeixoto@mail.pt
http://saudeminho.blogs.sapo.pt
publicado por Mário Peixoto às 11:31
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