Terça-feira, 19 de Julho de 2005

Portugal vai a Banhos

imagem_praia_editorial.jpg

O sol queima lá fora, as ondas turbulentas rebentam refrescando as cálidas areias brancas por onde se estendem corpos bronzeados despertando o desejo tórrido de um passeio na praias. Nas agendas, os dias sofregamente sublinhados a vermelho não deixam margem para dúvidas...Portugal vai a banhos!
Preparam-se malas de viagem, ultimam-se pormenores e estudam-se detalhes para que as férias corram da melhor forma. A habitual calma e descontracção que se respira nos corredores dos nossos Ministérios é substituída pela azáfama com que se preparam os cremes, as toalhas de praia e se arquivam as cartas de demissão dos mais variados actores do campo da saúde que, dado o volume, bem têm ocupado tempo aos responsáveis políticos que não têm mãos a medir para suprir tanta debandada e substituição, uns por opção própria outros por não terem opção. São factos normais diria Correia de Campos! Depois da demissão em bloco do conselho de administração dos Hospitais da Universidade de Coimbra, liderada por Nascimento Costa, também o presidente da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), Rui Nunes, alegando «falta de apoio institucional», incluindo do Presidente da República, decidiu “ir a banhos” não sem antes deixar vincados os seus anseios sobre o verdadeiro papel da ERS no futuro. Sem rumo, este barco espera que uma nova corrente que o leve a bom porto.
Mais uma vez os timings esgotados, as previsões pouco ou nada previsíveis constituem o paradigma da forma como funcionam os mecanismos que regulam o sector da saúde em Portugal.
Foram largas as décadas em que, em função de interesses representativos, valores obscuros e prioridades trocadas, as escolhas que constavam nas agendas políticas não coincidiam com as agendas da saúde. Nesse sentido, não foi, pelo menos tanto quanto desejável, corresponder às expectativas das pessoas que foram depositando as suas esperanças e acreditando em valores que, no fundo, lhes resolveriam os problemas mais sensíveis e concretos com que se deparam no seu dia a dia como, por exemplo e em primeira instância, a facilidade no acesso aos cuidados de saúde. Em boa verdade um longo e sinuoso caminho foi percorrido mas continuam a subsistir lacunas graves ao nível das orientações políticas internas, necessariamente sustentadas pelas directrizes europeias e globais, quase sempre condicionadas pelos infindáveis fait-divers e jogos palacianos que abrilhantam os períodos pré e pós estivais. A ausência de uma política sustentada, apostada em critérios rígidos de segurança e na busca, como diria Deming, contínua da qualidade tem descredibilizado o sector governativo que, sem convicção, não incute mecanismos susceptíveis de ultrapassar a resistência à mudança quase sempre envolta na nuvem escura das negociações paralelas.
Agora, já ninguém pensa nisto, vão todos a banhos! Os compromissos regressam lá para Setembro adornados pelas afirmações tão firmes quanto complexas, tão demagógicas quanto utópicas bem características dos períodos pré eleitorais. Certamente voltaremos a ouvir falar dos pseudo mecanismos de controle de desempenho dos recursos humanos que laboram na função pública, das famigeradas relações de cooperação entre sector privado e sector público, dos volumes infindáveis de portarias e decretos leis que entopem os vários circuitos de informação ou, porque não, da cultura do conhecimento que devia ser incutida, e não o é, nos mais variados profissionais.
Da nossa parte também “vamos a banhos”! Ansiosos por umas férias solarengas mas cientes da reflexão necessária e inerente aos compromissos assumidos com os leitores, despedimo-nos com um “até breve” e com a promessa de um retorno revigorado. Até lá, Boas férias


Mário Peixoto
mariopeixoto@mail.pt
http://saudeminho.blogs.sapo.pt
publicado por Mário Peixoto às 10:44
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