Sábado, 5 de Novembro de 2005

Gripe das Aves

Todos os anos é assim e a Natureza não encontra maneira de alterar o cobreado desta estação, apesar das mudanças climatéricas com que temos sido ultimamente presenteados e que diluem as principais características desta época. Com ela surgem as gripes e constipações, geralmente adquiridas pela inalação do vírus a partir de gotículas aéreas que se produzem quando alguém que está infectado, espirra ou tosse.
Já habituados, pese embora as mutações do vírus Influenza, respondemos com as habituais medidas preventivas (vacinação, evitar contactos com pessoas infectadas, lavar bem as mãos, alimentação saudável, exercício físico, etc) ou, em último recurso às curativas. Refira-se que, dos três tipos diferentes de vírus influenza: A, B e C, destaca-se a subdivisão do tipo A em vários subtipos, sendo os subtipos H1N1, H2N2 e H3N2, responsáveis por grandes epidemias e pandemias. A aparente normalidade é interrompida em Maio de 1997 quando o vírus Influenzae A(H5N1) foi isolado pela primeira vez em humanos, numa criança de Hong Kong. Até aí, apenas se tinha conhecimento da ocorrência do vírus em diferentes espécies de aves (daqui a designação de “gripe das aves"), incluindo galinhas, patos e gansos, comprovando-se assim a transmissão animal-homem mas, ao mesmo tempo, a inexistência de risco de infecção através do contacto ou consumo de carnes frescas ou congeladas dos animais. As únicas pessoas em risco serão aquelas que, por motivos profissionais ou ocupacionais, estão obrigadas a contactar com as aves vivas ou com os seus cadáveres dado o mesmo se transmitir por via inalatória e não alimentar. Contudo, ainda não foi possível excluir-se a possibilidade de transmissão homem-homem temendo-se eventuais mutações génicas.
Importante será referir que, a habitual vacina contra a gripe, que anualmente é produzida para proteger contra as estirpes de vírus responsáveis pelas epidemias anuais de gripe humana, não confere qualquer protecção contra a gripe das aves.
Quanto a uma vacina para a gripe das aves propriamente dita, esta ainda não existe, porque só poderá ser produzida quando se conhecer a estirpe em circulação. Estranha-se assim a aquisição pelo governo português da compra de um medicamento anti-viral para tratamento da gripe das aves. A Direcção-Geral de Saúde (DGS), em contradição, recordou que «não existe, actualmente, nenhuma vacina eficaz aprovada contra o vírus H5N1».
Recentemente a Comissão Europeia, para além de aconselhar os seus Estados membros a manterem-se vigilantes, anunciou a atribuição de 25.120 euros às autoridades portuguesas no quadro do co-financiamento dos programas nacionais de monitorização da gripe das aves. Será suficiente?
Contudo, enquanto o vírus da gripe das aves não ocorre na EU, é importante haver bons planos nacionais que façam frente ao seu repentino aparecimento em aves domésticas, assegurando a sua rápida erradicação e, ao mesmo tempo, preparem a protecção adequada contra infecções para administrar a pessoas em risco.
Posto isto, será importante sublinhar algumas das medidas estratégicas que, postas em prática, numa perspectiva preventiva, permitirão melhorar e adaptar Planos de Contingência (vigilância epidemiológica, maior controlo de fronteiras, etc) em coordenação mútua nos vários estados membros, constituindo estes importantes mecanismos de protecção para uma epidemia neste âmbito.
Os mecanismos de vigilância das condições de higiene sanitária dos locais de acondicionamento, venda e abate de aves, deverão ser reforçadas com acções de vigilância em humanos complementadas ainda com acções de informação e educação para a saúde. Especialmente visado, o “sector avícola” deverá empreender um conjunto de medidas cuja implementação garanta o reforço da biosegurança tais como: a obtenção da Certificação Sanitária, nomeadamente quanto à proveniência das aves (origem autorizada) e certificação do Estatuto Sanitário da exploração ou da zona geográfica/país (declaração de indemnidade); o maneio higio-sanitário; o controlo de pragas e as medidas preventivas que possam obstar ao contacto dos pássaros e aves selvagens com a aves de produção ou ainda a colocação de dispositivos de alimentação e abeberamento de forma a não atrair aves selvagens evitando derramar rações ou outras matérias primas.
Caso se registe alguma situação de doença devem ser imediatamente accionados todos os mecanismos de alerta (autoridades sanitárias veterinárias locais ou regionais. Caso falhem todos estes mecanismos, ponderar, com o auxílio das entidades competentes o abate selectivo ou sistemático de animais suspeitos de infecção.
Já diz o ditado que “mais vale prevenir do que remediar “ e este aplica-se como uma luva ao caso do Influenzae A(H5N1). Para tal basta recordar as pandemias de 1957 (gripe asiática- subtipo A(H2N2)) e de 1968 ( gripe de Hong Kong- subtipos A(H3N2) e A(H1N1)) que mataram mais de 4 milhões de pessoas, sobretudo crianças e idosos.



Mário Peixoto
mariopeixoto@mail.pt
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publicado por Mário Peixoto às 00:17
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