Sábado, 5 de Novembro de 2005

Operação mãos limpas

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A tradicional imagem associada a um Hospital, para a grande generalidade dos utentes, reflecte, por norma, sensações de desconforto, de ansiedade ou até de agonia.
Tal quadro torna-se mais nítido quando efectivamente temos necessidade de utilizar alguns serviços de outros tantos hospitais do nosso País.
O estudo que a DECO (Associação Nacional para a Defesa do Consumidor) se prepara para publicar na sua revista “Proteste” sobre a qualidade da comida em 21 hospitais portugueses assim como as condições de higiene, conservação dos alimentos e qualidade das suas instalações, confirma e realça os sentimentos descritos revelando pormenores assustadores e intoleráveis para um ambiente onde o público alvo está particularmente sensível e, por vezes bastante debilitado. A promoção e garantia da segurança alimentar é um requisito exigido a qualquer serviço que envolva o fornecimento de alimentos por forma a precaver infecções e intoxicações que resultem da falta de práticas higio-sanitárias. Assim, as administrações hospitalares não podem alhear-se desta necessidade cabendo-lhes salvaguardar a segurança alimentar ao longo do percurso dos alimentos até ao seu consumo. Esta responsabilidade não pode ser escamoteada e remetida para terceiros, como vem sendo hábito, em especial para as empresas de catering contratadas.
Se estas não apresentam um serviço de efectiva qualidade cabe às ditas administrações pugnar pela melhoria do serviço prestado, substituindo-as, ou então, encontrando soluções alternativas e não, pura e simplesmente, refugiar-se nos pseudos processos de fiscalização ou noutros sistemas de controlo menos rigorosos, na medida em que, num local em que os cuidados devem ser redobrados, não garantem a necessária protecção e ganhos de confiança dos próprios utentes. Não deixa de ser curioso que os hospitais com melhores resultados eram aqueles que produzem as próprias refeições, de forma personalizada, não aderindo à “moda do outsourcing”!
O estudo apresentado pela DECO mais preocupante se torna quando são revelados alguns dados como: a “existência, nas saladas, de níveis superiores ao aceitável de E.Coli (uma bactéria fecal) ou ainda, em “seis hospitais onde foram detectados nas mãos dos funcionários microorganismos indicadores de má higiene”. Outras práticas constatadas e relatadas, não menos alarmantes, revelam pormenores tenebrosos como: pessoal com cabelos parcialmente apanhados e não protegidos; a não utilização de calçado especial em detrimento do usado na rua ou ainda utensílios de cozinha com microorganismos passíveis de contaminar alimentos; sistemas de ventilação e exaustão inadequados, águas no chão e casas de banho sujas. O cenário não é, na verdade animador, e como se tal não bastasse, é-nos revelado que não são só as condições de higiene que estão em causa mas também a própria qualidade da composição das refeições. Foram detectadas situações onde os fritos e os farináceos predominavam deixando pouco ou nenhum espaço para os legumes. Calorias a mais para quem está débil e que, quando mal alimentado, corre risco acrescido de contrair infecções dificultando a sua recuperação. Este panorama leva-nos a lamentar e a clamar pela presença de nutricionistas nesta unidades como garante técnico do controlo da composição das refeições, da correcta avaliação do valor nutricional e, por conseguinte, da sua correcta e eficaz adequação ao perfil do doente.
Independentemente de se tratar de serviços de saúde públicos, S.A. ou privados é nosso dever e, em especial, daqueles que laboram nesses locais, melhorar e humanizar o acolhimento dos doentes exigindo a definição de regras de conduta e alteração de hábitos que permitam a correcção de comportamentos de risco dentro das instituições de saúde.



Mário Peixoto
mariopeixoto@mail.pt
http://saudeminho.blogs.sapo.pt
publicado por Mário Peixoto às 00:20
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