Sábado, 5 de Novembro de 2005

Saúde Escolar: que abordagem?

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Fruto de uma desertificação aparentemente inevitável face ao crescente abandono de uma parte significativa das actividades agrícolas e consequentes novos êxodos para as cidades, o fecho de escolas encerra em si, não só uma problemática de índole cultural como, acima de tudo, social.
Contudo é incontornável a não justificação da manutenção de certas escolas assim como se compreende os prejuízos para a aprendizagem em turmas com um demasiado escasso número de crianças.
Mas, se umas fecham, outras deverão continuar a constituir o garante da normal e, por todos desejada, superior educação dos seus alunos, sendo necessário continuar a dotá-las de infra-estruturas apropriadas e compatíveis com os desafios que a sociedade continua a lançar ininterruptamente em diversas áreas à qual a Saúde não foge à regra.
“De pequenino se torce o pepino” diz o povo e este tem sempre razão.
O investimento na promoção da saúde junto das crianças e jovens, é hoje a estratégia mais eficaz de obter ganhos em saúde, a médio e longo prazo. As escolas constituem assim locais privilegiados para uma abordagem efectiva representando um papel fundamental na aquisição de estilos de vida saudáveis e na prevenção de comportamentos nocivos.
No âmbito da saúde escolar é comum debater-se, sem conclusão clara, qual a abordagem mais indicada, se a tradicional, onde a tónica é assente na prevenção das doenças ou a salutogénica da promoção da saúde onde é dada maior importância ao ambiente e aos estilos de vida, como condições para o bem-estar.
Através da Lei Orgânica da Direcção-Geral da Saúde, aprovada pelo Dec. Lei n.º 122/97 de 20 de Maio é criada a Divisão de Saúde Escolar com competências múltiplas das quais se destaca “a orientação e coordenação de actividades de prevenção da doença e prestação de cuidados de saúde dirigidas à população e ambientes escolares; a análise dos factores que afectam o nível de saúde da população escolar e a elaboração de propostas para a sua melhoria, ou ainda a promoção e cooperação com serviços competentes em matéria de desportos, medicina desportiva, aproveitamento de tempos livres e condições de Segurança, Higiene e Saúde nos locais escolares e promoção da sua difusão”.
A implementação destas medidas exige contudo, cada vez mais, uma avaliação qualitativa, uma monitorização dos processos e dos resultados, a médio e longo prazo e acima de tudo, uma demonstração da evidência dos projectos de promoção da saúde.
Por seu turno, inserido no Plano Nacional de Saúde 2004-2010, o Programa de Saúde Escolar visa essencialmente o reforço das acções de promoção da saúde e prevenção da doença que se desenvolvam em ambiente escolar. O trabalho por programas e projectos dirigidos aos problemas de saúde prioritários e às preocupações da escola é complementado por uma intervenção personalizada, de monitorização da vigilância da saúde das crianças e jovens e teve desde sempre, um sistema de avaliação, que ao longo dos tempos foi permitindo monitorizar as actividades das equipas de saúde escolar com a comunidade educativa. De entre inúmeros programas e actividades destacam-se, como uma mais valia inequívoca para a comunidade, os alusivos à educação alimentar, promoção da saúde oral, educação sexual, prevenção do VIH/SIDA ou ainda a inclusão escolar de crianças com necessidades de saúde especiais, entre outros.
Este programa foi avaliado e o seu relatório apresentado, permitindo fazer-se uma comparação da evolução das actividades nos últimos quatro anos (2000 a 2004) e uma apresentação das actividades desenvolvidas pelos Centros de Saúde no ano lectivo 2003/2004, no contexto das Administrações Regionais de Saúde a que pertencem.
Interessante sublinhar, da avaliação efectuada ao Programa de Saúde Escolar, pese embora a existência na grande maioria dos Centros de Saúde (96%) de equipas de saúde escolar, a revelação de que a abordagem seguida continua a pautar-se, quase exclusivamente, pelos métodos tradicionais da saúde... A reflectir!!



Mário Peixoto
mariopeixoto@mail.pt
http://saudeminho.blogs.sapo.pt
publicado por Mário Peixoto às 00:26
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