Terça-feira, 17 de Janeiro de 2006

Ondas de Calor

O esplendor do Natal frio acelera os corações que palpitam quentes de emoção e acesos de esperança por um futuro melhor.
Em época tradicionalmente fria, de sensibilidade e bom senso, parecerá um contra-senso abordar-se uma temática que, pelas suas características, melhor se adequaria a períodos estivais de regiões temperadas como é o caso do nosso país: as Ondas de Calor!
Contudo, alertados por um aumento excessivo de óbitos num período cuja ocorrência das condições climatológicas foi francamente anormal (Junho-Julho) surgiu a necessidade de se vigiar o efeito das altas temperaturas na saúde da população portuguesa. Na tentativa de a colmatar foi elaborado o Plano de Contingência para as Ondas de Calor (PCOC) levado a cabo pela segunda vez depois de um catastrófico ano de 2003 e entretanto apresentado esta semana sob coordenação da Direcção Geral de Saúde.
Criado com o objectivo de informar e accionar atempadamente o sistema de alertas para as ondas de calor, o Plano de Contingência contribuiria ainda, caso funcionasse em pleno, para que as Autoridades de Saúde accionassem os mecanismos necessários para fazer face à situação, minimizando assim os potenciais efeitos indesejados na saúde das populações.
Mas afinal o que são Ondas de Calor? Que perigos encerram?
Caracterizadas por um período contínuo onde as temperaturas que se fazem sentir ultrapassam significativamente os valores médios usuais para a época, as Ondas de Calor constituem uma forte ameaça quer para a integridade física daqueles sujeitos às ditas temperaturas quer para a harmonia de todo um ecossistema, essencialmente pela rápida propagação de incêndios florestais. Assente num equilíbrio entre a produção de calor e a sua perda, a temperatura corporal é regulada através de mecanismos fisiológicos como a transpiração. Quando esse equilíbrio é desfeito pela exposição a temperaturas muito elevadas o organismo ressente-se e muitas vezes não consegue reverter esse estado provocando danos irreparáveis.
Cada vez mais frequentes entre nós nos últimos anos, as ondas de calor, tal como os períodos de seca, chuvas intensas ou doenças transmitidas por insectos e relacionadas com a alimentação e água tendem a aumentar, com a poluição do planeta sempre como pano de fundo.
Só este ano foram contabilizadas mais 462 mortes (especialmente idosos) do que o normalmente registado na supracitada época do ano fustigada pelas Ondas de Calor.
Perante estes números e através da conclusão de que as pessoas recorrem cada vez menos aos serviços de saúde, seja por falta de informação ou apoios de outra índole, percebe-se a necessidade de rapidamente alterar um Plano que, caso não estabeleça a necessidade de articulação entre diversas entidades com responsabilidades sobre grupos de maior risco tais como idosos, crianças e pessoas que vivam sozinhas (IPSS´s; Municípios e outras instituições), rapidamente será condenado ao insucesso. Atente-se por exemplo no papel dos Municípios, cuja definição de políticas conducentes a uma melhoria da qualidade das habitações, das escolas, dos locais de trabalho, do planeamento e da utilização dos transportes, permitiria diminuir o impacto das ondas de calor. Um sector da habitação, pensado, sustentado e sustentável reveste-se de especial importância na medida em que proporcionará condições mais adequadas a todos aqueles, em especial aos mais desfavorecidos, que se vejam directa ou indirectamente especialmente afectados por fenómenos da natureza.
Mas porque as ondas não são só de calor, aguarda-se com interesse o delinear de estratégias para o combate ao frio que, especialmente nesta época do ano, nos faz ansiar pelo novo aumento das temperaturas...moderadas!!


A todos os leitores aproveito para desejar um Santo e Feliz Natal !!


Mário Peixoto
http://saudeminho.blogs.sapo.pt
publicado por Mário Peixoto às 15:07
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