Terça-feira, 17 de Janeiro de 2006

Votos de...

Ocupados, cada vez mais ocupados, absorvidos por tudo e mais alguma coisa, nem sempre relevante, deixamos as reflexões, as aspirações e os balanços, esquecidos no baú empoeirado da nossa memória.
Hoje, celebrando um ritual ancestral que parece expurgar o ano velho e acolhendo um novo como se este nascesse puro, livre de todas as impurezas acumuladas num passado recente, brindamos com champanhe e comemos as uvas passas, símbolo da fertilidade e da abundância, transportando os desejos formulados ao som das doze badaladas.
Hoje também recuperamos a chave do baú e afectamos algum do nosso ocupado tempo à difícil tarefa de efectuar o balanço do ano transacto 2005 e a formular votos para o futuro 2006 que se deseja risonho:

Bom- O projecto "Um sorriso com as TIC", promovido pela Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação - já implementado em algumas unidades pediátricas do Porto, Coimbra e Lisboa - é um bom exemplo de como se pode ajudar aquelas crianças que tenham de permanecer internadas em unidades hospitalares a contactar, através do recurso a web câmaras e computadores, com os seus familiares e amigos amenizando o seu sofrimento.
Oportunidade- Com o objectivo de se obter ganhos em saúde, as decisões políticas são tomadas tendo em consideração toda a informação válida, disponível e relevante sobre determinado problema. A isto chamamos política de saúde baseada na evidência. Parece também evidente que as decisões são tomadas, não só ao nível ministerial, como também ao nível regional e local. Cabe assim às autarquias a assunção de um papel cada vez mais activo na prossecução desse objectivo, na medida em que, dado o conhecimento muito próximo e preciso das realidades locais, podem ser determinantes para uma ligação mais consistente com as unidades de saúde.
Mau- A novela em torno das decisões e contra decisões sobre o estatuto jurídico, modelos e prioridades de investimento nos hospitais. De parcerias público-privadas (PPP) a entidades públicas empresariais (EPE) a principal diferença reside numa questão puramente ideológica deixando para segundo plano a fórmula que permita que os hospitais do SNS sejam instituições eficientes e eficazes na resolução atempada dos problemas, na gestão dos recursos disponíveis e capazes de não discriminação no acesso.



Ainda o défice na Saúde- Pese embora o recurso constante aos orçamentos rectificativos, a verdade é que as contas do SNS são classificadas pelo Tribunal de Contas como “ pouco fiáveis” ,“ um pandemónio” e sublinha ainda o “insuficiente controlo sectorial e uma deficiente articulação entre as várias áreas”. Até quando?
Novidade- Após avaliação económica, a inclusão da vacinação contra o meningococo C no Plano Nacional de Vacinação (PNV) constituiu uma boa novidade no seio da medicina preventiva. O novo plano inclui ainda imunizações contra a tuberculose, a hepatite B, a difteria, o tétano, a tosse convulsa , o sarampo, a poliomielite, a doença invasiva por Haemophilus influenzae do serotipo b, a parotidite epidémica, a rubéola e a doença invasiva por Neisseria meningitidis do serogrupo C (meningite C- a complementar com uma campanha de vacinação dirigida a menores de 18 anos) .
Obsoleto- O próprio SNS. As opiniões divergem, desde as mais liberais às mais conservadoras, desde a necessidade do aumento da responsabilidade pública ao aumento dos mecanismos de privatização! O SNS está doente...


2 meses passaram sobre os primeiros alertas para a Gripe das Aves tendo inclusive sido apontada pelos editores da revista “Science” como um dos cenários a atrair maior atenção no próximo ano. Assim, a investigação tendo em vista a criação de vacinas e fármacos para atenuar ou suprimir os seus efeitos vai expandir-se, confirme-se ou não o surgimento de uma pandemia
0- Nulo o papel da Entidade Reguladora da Saúde (ERS). O que nasce torto, diz o povo, tarde ou nunca se endireita. De promessa vigorosa a organismo inconsequente e politizado, o papel de “caixa postal para reclamações” não lhe assenta bem!
0 – nota 0 para o recurso generalizado da Telemedicina. Um projecto apadrinhado por Correia de Campos que, tal como muitos outros, infelizmente, foi classificado pelo próprio como "um falhanço com o qual todos devemos aprender".
De projecto "extremamente ambicioso" passou a " latejar sem ter levantado voo”.
6 % -A percentagem escolhida, como um slogan, para baixar o preço dos medicamentos. Na verdade o estado baixou em 0,5% a sua despesa com medicamentos mas o fim da majoração de 10% na comparticipação dos medicamentos genéricos e as alterações aos regimes de comparticipação ( DL 129/2005 de 11 Agosto) com especial incidência no escalão A significará um aumento dos montantes que os portugueses terão que despender com medicamentos ( mais quatro milhões de euros por trimestre).



Mário Peixoto
http://saudeminho.blogs.sapo.pt
publicado por Mário Peixoto às 15:09
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