Domingo, 23 de Março de 2008

Construir a Casa pelo Telhado

Para além da expansão da rede nacional de cuidados continuados ou da tentativa desesperada e nem sempre conseguida de garantir a sustentabilidade financeira do SNS, também a “reinvenção dos cuidados de saúde primários”, especialmente através da criação das USF (Unidades de Saúde Familiares) continua a ser uma das grandes bandeiras deste Governo no ano de 2008.

Sob o lema da gestão integrada e do rigor orçamental, a criação das USF pretendia, em larga medida, tentar alterar hábitos enraizados, nomeadamente ao nível da autonomia, da hierarquia técnica, do desempenho e do financiamento ou mesmo e especialmente até ao percurso habitual dos utentes, ainda fortemente direccionado para a rede hospitalar e dos seus serviços de urgência.

Recorda-se que as USF são constituídas por pequenas equipas multiprofissionais de médicos e enfermeiros de família, administrativos e outros profissionais de saúde que se associam voluntariamente com vista a uma prestação de cuidados de saúde mais próxima do cidadão.

Porém, estas equipas foram aliciadas a constituir um projecto que implica, por um lado autonomia e responsabilidade na gestão e, por outro, uma remuneração mais adequada e sensível ao desempenho. Para tal foram pensados dois grupos de USF, as do modelo A e as do modelo B.

Parece no entanto evidente, em especial nesta matéria, que ninguém assuma mais responsabilidades por “amor à camisola” pelo que se espera a publicação que permita o modelo B no terreno.

Se este não for publicado, em termos práticos, todas as USF vão ser perpetuadas em modelo A pelo que não será difícil adivinhar a desistência em catadupa.

Já em 2006, neste mesmo espaço, vaticinava que “ a criação de Unidades de Saúde Familiar deve ser acarinhada até se provar que é efectivamente útil, mas já diz o povo que “quando a esmola é grande o pobre desconfia” e neste aspecto particular os pobres andam mesmo desconfiados!!”

A anunciada reforma que visa em larga medida diminuir os utentes sem médico de família tem sido lenta, isenta de objectivos, de planeamento e investimento.

No que a esta matéria diz respeito, o Distrito de Braga é um dos exemplos mais paradigmáticos. Atente-se pois nos dados: em Dezembro de 2004, cerca de 80 mil utentes não tinham médico de família. Três anos volvidos e com 16 USF criadas no Distrito, são hoje 103 mil aqueles que anseiam por um médico de família.

São estes os perigos associados à “construção de uma casa pelo telhado”...
publicado por Mário Peixoto às 19:17
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