Segunda-feira, 10 de Abril de 2006

Vocação para a Saúde

Dizia Albert Einstein que, se atribuímos um número a uma determinada coisa será porque certamente já sabemos algo mais sobre ela. O recurso às análises numéricas e estatísticas, sejam elas de que índole forem: financeira, social ou outra, têm-se, como é compreensível e maioritariamente desejável, multiplicado. Porém, é perfeitamente assumido que a Estatística nunca dá certezas absolutas. Poderá sim fornecer-nos probabilidades baseadas em pressupostos e dar-nos apenas uma ideia sobre a eventual associação entre variáveis, mas nunca nos revela a verdadeira relação de causalidade.
Contudo, cada vez mais temos na nossa sociedade a necessidade de provar ou tentar provar, da forma mais objectiva possível, aquilo que fizemos, que queremos fazer ou que queiramos vir a fazer. Mas, há coisas que não se podem materializar e cujos números que lhes venhamos a atribuir não revelam nem nunca revelarão o seu verdadeiro âmago.
Trata-se de um valor intrínseco, associado à personalidade de cada um, e que, quando posto ao serviço de terceiros não consegue ser quantificado...talvez apenas qualificado: falamos da verdadeira Vocação de um profissional de saúde para a sua actividade profissional.
Quem, por necessidade própria ou no apoio a terceiros, utiliza regularmente locais prestadores de cuidados médicos, sejam centros de saúde, clínicas ou hospitais certamente já se confrontou com díspares formas de atendimento?
Não está obviamente em causa a competência e a qualidade profissional dos diversos agentes envolvidos mas apenas perceber-se de que forma a sua vocação para esta actividade afecta directamente a performance em especial aquando do contacto com o doente. Obviamente, nestas situações não basta o recurso às qualidades técnicas e científicas dos profissionais e das unidades de saúde. Além destas exige-se a qualidade humana na medida em que se está a servir pessoas e, por isso, não se pode deixar de ter preocupações humanizadoras: humanização das relações, das estruturas, dos espaços, equipamentos mas acima de tudo dos cuidados propriamente ditos.
Pelo facto de os doentes terem, não só deveres mas também direitos e por a relação com cada um deles ser uma relação pessoal, não é admissível uma visão da Saúde puramente burocratizada, economicista esquecendo as preocupações humanas e humanizantes como muitas vezes nos é feito crer pelas atitudes de alguns profissionais que laboram nesta área. É certo que, para todos, em qualquer profissão, há dias bons e dias menos bons mas mesmo em dias menos bons se consegue distinguir alguém com vocação para a actividade que desempenha de outro sem qualquer vocação! Estes últimos, por norma, recorrem aos mais variados meios de diagnóstico e demais recursos disponibilizados pela medicina para a recuperação do doente mas esquecem-se da pessoa em si e do seu completo bem estar bio-psico-social. Às vezes uma palavra amiga, uma pequena ajuda a levantar um doente deitado numa maca, uma conversa de circunstância, levanta o estado anímico do paciente ajudando, por pouco que seja, à sua recuperação.


Mário Peixoto
http://saudeminho.blogs.sapo.pt
publicado por Mário Peixoto às 12:12
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