Segunda-feira, 10 de Abril de 2006

Dia Mundial da Saúde- “Trabalhando juntos para a Saúde”

Promovido anualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), celebrou-se esta semana mais um Dia Mundial da Saúde (7 Abril). A escolha do tema recai, por norma, sobre um assunto considerado prioritário nesta área à escala global e para o qual se considera necessário lançar o debate, criar sinergias, encontrar soluções ou, simplesmente, sublinhar notáveis contribuições prestadas à Saúde Humana. Desta feita, sob o lema “Trabalhando juntos para a Saúde” o dia foi dedicado à “crise” que atinge os profissionais de Saúde.
Peça chave de um puzzle complexo, esses trabalhadores, seja ele qual for o seu grau de qualificação e a tarefa atribuída, têm convivido com as mais variadas dificuldades. Independentemente do país onde exercem a sua actividade essas dificuldades subsistem a diferentes níveis, desde o ensino, passando pela prática até ao exercício propriamente dito. Se nos países desenvolvidos somos frequentemente confrontados com solicitações várias ao nível das necessidades de formação para aquisição de novas competências, da melhoria das condições de ambiente de trabalho e consequente adaptação à vida social (infantários, ginásios, cantinas), das remunerações adequadas ao trabalho desenvolvido e à implementação de sistemas de avaliação justos complementados por incentivos reais, o que dizer dos países subdesenvolvidos nos quais, aos problemas anteriormente referidos, acresce uma infindável lista de outros tantos, desde os mais básicos aos mais complexos, que acentuam a “crise” vivida por estes profissionais. Não fossem estes o principal capital com que uma organização pode e deve contar e o assunto não seria tão relevante. Contudo a gestão destes valiosos recursos, enquanto factor crítico de sucesso para a melhor prestação de cuidados de saúde às populações, necessita atenções redobradas. As transformações profundas ocorridas nas organizações, com especial incidência nas da Saúde, são facilmente percepcionáveis através das mudanças significativas que ocorrem nos mercados e nas tecnologias, tendo acarretado alterações na forma como o trabalho é organizado, suscitando novos problemas e novos desafios. O diagnóstico não será difícil de ser feito: o aumento da esperança média de vida e da incidência de novas patologias é complementado pelo facto da oferta de recursos a este nível não ter vindo a satisfazer a procura pondo em causa a acessibilidade das populações aos cuidados de saúde. Acresce as longas «décadas de pouco investimento» na educação e no ambiente de trabalho com reflexo na «falta de competências chave» em áreas específica. Por último destacam-se os deficientes ou inexistentes mecanismos de planeamento e controlo, o “empowerment” esquecido ou os incentivos à produtividade diminutos.
Assim, o sucesso da gestão quer ao nível da formação, da motivação e consequente retenção de profissionais depende em larga escala do tipo de políticas e procedimentos implementados e, especialmente, na forma como estes são percepcionados pelos profissionais que, diariamente estão sujeitos a uma intensa carga física e emocional nos serviços onde laboram.
Em comunicado a OMS refere-se à necessidade de se encontrarem soluções (sejam elas a revisão de escalas salariais, a introdução de incentivos não monetários (salário psicológico); a formação permanente e “ à medida”, a distribuição de profissionais por áreas geográficas ou outra...) a «nível local, nacional e internacional», com o respectivo envolvimento dos governos das Nações Unidas, Organizações Não Governamentais e profissionais de saúde por forma a garantir que os recursos humanos laborem onde sejam efectivamente necessários, quando necessários e com as qualificações apropriadas por forma a prestar os melhores cuidados de saúde às populações nos vários pontos do globo. Porque o desafio é permanente a resposta tem de ser ambiciosa e pese embora seja inquestionável o progresso e os avanços alcançados nos diversos sistemas de Saúde a excelência dos exercícios é algo que nos foge constantemente pelo que todos os esforços desenvolvidos nesta procura são poucos.


Mário Peixoto
http://saudeminho.blogs.sapo.pt
publicado por Mário Peixoto às 12:17
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